Gilliard e “Quem Me Dera”: a história da canção de 1983 que marcou a música romântica brasileira

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Criado por Rádio Planeta Saudade | 2 de novembro de 2026

Presente na trilha sonora da novela Champagne, da TV Globo, a gravação de Gilliard reúne uma história de parceria musical, televisão e uma curiosa passagem por um álbum que também revelou seu lado mais irreverente.

Existem músicas que atravessam décadas sem perder a capacidade de despertar lembranças. Algumas nos transportam para um romance, outras recuperam rostos, lugares e momentos que pareciam guardados em outra época.

Na trajetória de Gilliard, “Quem Me Dera” ocupa um lugar especial nessa memória musical.

Lançada em 1983, a canção encontrou espaço nas programações de rádio e ganhou uma vitrine nacional ainda maior ao integrar a trilha sonora da novela Champagne, exibida pela TV Globo. Sua presença naquele período ajuda a compreender como a música romântica brasileira se relacionava com o rádio, a televisão e os discos que chegavam às lojas.

Mas existe um detalhe nessa história que merece ser conhecido: a gravação fazia parte de um álbum que apresentava duas facetas bastante diferentes do cantor. De um lado, o intérprete romântico. Do outro, um artista disposto a brincar com o imaginário infantil.

É justamente nessa combinação que encontramos uma das passagens mais interessantes da carreira de Gilliard.

Antes de “Quem Me Dera”: o caminho de Gilliard até o sucesso nacional

Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Gilliard Cordeiro Marinho cresceu em uma família ligada à música. Sua aproximação com o público começou muito cedo.

Aos oito anos de idade, venceu o concurso A Mais Bela Voz Potiguar. Ainda na infância, já participava de apresentações e programas de rádio, aproveitando as oportunidades para mostrar suas primeiras composições.

Aos 13 anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Posteriormente, seguiu para São Paulo, onde conseguiu apresentar seu trabalho à gravadora RGE.

No final de 1979, chegou ao mercado nacional com seu primeiro LP, que trouxe “Aquela Nuvem”, uma gravação que rapidamente conquistou o público.

A história dessa música também guarda uma curiosidade: sua composição nasceu em 1977, durante uma viagem de Gilliard na barca que fazia o percurso entre Rio de Janeiro e Niterói.

Uma experiência cotidiana de deslocamento acabou dando origem a uma das gravações mais conhecidas de sua carreira.

Segundo a biografia publicada pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e o material biográfico do cantor, o primeiro LP ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas.

Aquele sucesso estabeleceu as bases de uma trajetória que encontraria nos anos 1980 um dos seus períodos mais marcantes.

1983: o álbum que revela duas personalidades musicais de Gilliard

Para entender melhor o contexto de “Quem Me Dera”, vale observar o disco lançado pela RGE em 1983.

O álbum, identificado nos registros fonográficos como Gilliard, possui uma sequência de 12 faixas e apresenta um repertório que merece ser revisitado com atenção.

A terceira faixa é “Quem Me Dera”, composição assinada por Gilliard e Célio Ferreira.

Na sequência, aparece “Festa dos Insetos”, uma adaptação de tema tradicional, com participação de Gilliard na adaptação.

Essa proximidade entre as duas gravações revela algo interessante sobre o artista.

Enquanto “Quem Me Dera” dialogava com o universo sentimental que já havia conquistado seu público, “Festa dos Insetos” explorava uma linguagem divertida, aproximando o cantor do universo infantil.

Não se tratava simplesmente de uma mudança de repertório. Era uma demonstração de versatilidade.

O mesmo álbum reunia uma canção romântica destinada a um público que acompanhava o artista pelo rádio e uma composição bem-humorada que encontrava espaço entre crianças e famílias.

Esse detalhe da discografia ajuda a enxergar Gilliard para além do rótulo de cantor romântico.

E há outro aspecto importante: a presença de “Quem Me Dera” na trilha sonora de uma novela ampliaria ainda mais o alcance dessa gravação.

Célio Ferreira e Gilliard: a parceria por trás de “Quem Me Dera”

Uma parte importante da história dessa música está na parceria entre Gilliard e o compositor Célio Ferreira.

O nome de Célio aparece associado a diferentes momentos da discografia do cantor, incluindo “Coisas de Nós Dois”, “Menino do Alecrim” e “Quem Me Dera”.

A colaboração de 1983 não foi, portanto, um encontro isolado.

Os registros do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira documentam a participação de Célio Ferreira na trajetória musical de Gilliard e destacam a importância das gravações realizadas pelos dois.

Em “Quem Me Dera”, os créditos autorais identificam Gilliard Cordeiro Marinho e José Célio Ferreira como compositores.

Esse registro merece atenção porque, quando revisitamos uma canção antiga, é comum lembrarmos principalmente de quem a interpretou. Entretanto, conhecer os compositores também significa recuperar parte da história de quem ajudou a construir aquele repertório.

A música popular brasileira foi formada por muitas dessas parcerias, algumas bastante conhecidas, outras menos lembradas pelo grande público.

“Champagne”: quando a televisão ajudou a eternizar uma música

Em 1983, “Quem Me Dera” também ganhou espaço na trilha sonora nacional de Champagne, novela da TV Globo escrita por Cassiano Gabus Mendes.

A inclusão da gravação no álbum da trilha sonora é um dos registros mais importantes para compreender a circulação da música naquele período.

O disco foi lançado pela Som Livre e reuniu diferentes nomes da música brasileira.

Entre os artistas presentes estavam Rita Lee, Gilberto Gil, Fafá de Belém, Wando, Ritchie, Simone, Nana Caymmi, Olívia Hime, Paulinho da Viola e Marcos Valle.

Gilliard aparece na décima segunda faixa, justamente com “Quem Me Dera”, composição em parceria com Célio Ferreira.

É interessante observar o contexto dessa participação.

Naquela época, as trilhas sonoras das novelas representavam uma importante vitrine para a música brasileira. Uma canção incluída em uma produção televisiva podia alcançar pessoas que talvez ainda não conhecessem o disco original do intérprete.

A televisão criava familiaridade com a música, enquanto o rádio ajudava a mantê-la presente na rotina dos ouvintes.

E os LPs permitiam levar aquelas gravações para dentro de casa.

Essa integração entre diferentes meios de comunicação foi uma das características marcantes da indústria musical brasileira dos anos 1980.

No caso de “Quem Me Dera”, a presença em Champagne acrescentou uma dimensão especial à trajetória da composição.

Por que as canções românticas dos anos 80 continuam despertando tantas lembranças?

Para compreender a permanência de uma música como “Quem Me Dera”, é importante lembrar como as pessoas se relacionavam com as canções naquela década.

O rádio tinha uma presença muito forte no cotidiano. Era companhia durante o trabalho, nas viagens, nas reuniões familiares e nos momentos de descanso.

As músicas românticas encontravam um espaço particular nessa rotina.

Muitas vezes, uma canção deixava de ser apenas uma gravação para se transformar na lembrança de alguém. Uma pessoa, um relacionamento, uma festa, uma despedida ou até mesmo uma época inteira podiam ficar associados a determinada melodia.

Havia também uma relação muito próxima entre o público e os intérpretes. A voz que chegava pelo rádio passava a fazer parte da vida de quem acompanhava sua programação.

Gilliard construiu uma trajetória dentro desse cenário, com interpretações que encontraram identificação entre diferentes gerações.

É por isso que revisitar “Quem Me Dera” hoje representa mais do que recuperar um sucesso de 1983. É também reencontrar uma parte da história da música romântica brasileira e dos hábitos culturais de uma geração.

Outros sucessos que ajudam a contar a história de Gilliard

Embora “Quem Me Dera” seja o ponto central desta retrospectiva, a discografia de Gilliard apresenta outras gravações importantes.

“Aquela Nuvem” permanece como uma das grandes referências de sua carreira e representa o início de sua projeção nacional.

“Pouco a Pouco”, lançada em 1982, também integra o repertório associado ao cantor e ao romantismo popular brasileiro.

Já “Coisas de Nós Dois” merece atenção especial pela parceria com Célio Ferreira e pela presença posterior na trilha sonora da novela Partido Alto, em 1984.

E não podemos deixar de mencionar “Festa dos Insetos”, que apresenta uma faceta completamente diferente do artista e permanece ligada às recordações de infância de muitos brasileiros.

Essas gravações mostram que a trajetória de Gilliard não pode ser resumida a uma única música ou a um único estilo.

Seu repertório percorreu diferentes caminhos, mas conservou uma identidade que o público aprendeu a reconhecer.

Você sabia?

No álbum de Gilliard lançado pela RGE em 1983, “Quem Me Dera” aparece exatamente antes de “Festa dos Insetos”.

A primeira é uma composição de Gilliard e Célio Ferreira. A segunda é identificada nos registros fonográficos como uma música tradicional adaptada por Gilliard.

As duas gravações, tão diferentes em suas propostas, ocupam a terceira e a quarta posições do mesmo LP.

E existe mais uma curiosidade: na trilha sonora nacional de Champagne, “Quem Me Dera” aparece na décima segunda posição do álbum lançado pela Som Livre.

São pequenos registros discográficos que ajudam a preservar detalhes de uma época e a compreender melhor a dimensão da carreira de um artista.

A música continua. E as lembranças também.

Ao voltar a “Quem Me Dera”, encontramos uma canção que reúne elementos importantes da música brasileira dos anos 1980: o romantismo, a força do rádio, a presença das trilhas de novelas e o trabalho de compositores e intérpretes que ajudaram a construir a identidade musical daquele período.

Gilliard conquistou seu espaço com uma trajetória que começou muito antes desse sucesso e que continuou encontrando novas formas de chegar ao público.

Quarenta e três anos depois de seu lançamento, a gravação permanece como um convite para revisitar uma época em que as músicas também contavam histórias de vida.

E talvez seja justamente esse o maior valor de uma canção que permanece na memória: ela nunca pertence somente ao passado. Continua encontrando lugar nas lembranças de quem a escuta.

E agora queremos saber de você: qual música de Gilliard marcou sua vida?

Foi “Quem Me Dera”, “Aquela Nuvem”, “Pouco a Pouco”, “Coisas de Nós Dois” ou “Festa dos Insetos”?

Conte sua lembrança nos comentários. Queremos conhecer as histórias que essas músicas ainda despertam.

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Fontes de pesquisa e referências históricas

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