Forever, dos Alessi Brothers: a história da balada que encontrou no Brasil uma segunda vida

Gravada em 1982 com Christopher Cross na guitarra e nos vocais de apoio, “Forever” reuniu uma equipe de estúdio de alto nível antes de se transformar em uma das lembranças musicais de Elas por Elas
Existem músicas que chegam ao público como simples canções de amor. Outras acabam se transformando em algo maior: passam a carregar uma época, uma imagem, uma novela, uma lembrança e até a sensação de voltar por alguns minutos a um tempo que já passou.
“Forever”, dos Alessi Brothers, pertence a essa segunda categoria.
Lançada em 1982 no álbum Long Time Friends, a música foi escrita por Billy Alessi e ganhou uma gravação construída por uma equipe de músicos e profissionais que ajuda a explicar a sofisticação daquele disco. Christopher Cross, que estava no centro da produção do álbum, também tocou guitarra e participou dos vocais de apoio da faixa. Roscoe Beck assumiu o baixo, Tommy Taylor a bateria, enquanto Billy Alessi tocou Fender Rhodes e participou da programação de sintetizadores ao lado de Michael Boddicker.
Mas existe um segundo capítulo nessa história.
No Brasil, “Forever” encontrou uma porta de entrada especialmente poderosa: a televisão.
A canção foi incluída na trilha internacional de Elas por Elas, novela exibida pela Globo em 1982, onde apareceu como tema romântico geral. A trilha internacional começou oficialmente a tocar no capítulo 79, em 9 de agosto daquele ano.
E foi assim que uma gravação americana, concebida dentro do sofisticado universo da música pop do início dos anos 80, passou a fazer parte também da memória afetiva brasileira.
Antes de “Forever”, havia dois irmãos
Billy e Bobby Alessi não chegaram a 1982 como estreantes.
Os irmãos já haviam construído uma trajetória na música e tinham lançado trabalhos anteriores pela A&M. A própria discografia oficial dos Alessi Brothers registra Long Time Friends como seu álbum de 1982 pela Qwest, selo ligado a Quincy Jones.
A dupla já havia deixado sua marca com músicas como “Oh Lori”, e sua história também passava por trabalhos como compositores e músicos de apoio.
“Forever”, portanto, não surgiu de uma dupla desconhecida tentando encontrar seu primeiro espaço. Ela fazia parte de uma trajetória que já vinha sendo construída desde a década de 1970.
No novo álbum, entretanto, os irmãos entraram em outro ambiente.
Long Time Friends seria lançado pela Qwest e reuniria uma quantidade impressionante de músicos convidados e profissionais de estúdio.
A música nasceu da caneta de Billy Alessi
Há um detalhe particularmente interessante quando observamos a composição de “Forever”.
Apesar de o nome Alessi Brothers estar associado à gravação, a autoria da faixa é creditada a Billy Alessi. A documentação do álbum e a própria página oficial dos irmãos registram a música dessa maneira.
Isso ajuda a compreender uma característica importante de Long Time Friends: Billy e Bobby não necessariamente dividiam todas as composições entre os dois.
O álbum alternava canções escritas pelos dois irmãos com outras compostas individualmente. “Forever” aparece nesse segundo grupo, como uma composição de Billy.
A letra apresenta o fim de um relacionamento sob a perspectiva de alguém que percebe que determinadas promessas de permanência podem ter chegado ao limite. O próprio título ganha, assim, uma espécie de ironia melancólica: “para sempre” pode significar, naquele momento, apenas até o fim daquela história.
É uma abordagem romântica, mas não exatamente idealizada.
Há perda, ressentimento, memória e a consciência de que algumas relações só revelam seu verdadeiro valor depois que ficam para trás.
O álbum que colocou “Forever” no meio de uma equipe extraordinária
É aqui que a história de “Forever” começa a ficar especialmente interessante.
Os créditos de Long Time Friends revelam um verdadeiro encontro de músicos de estúdio.
Christopher Cross aparece como produtor e guitarrista; Michael Ostin também participa da produção; Quincy Jones assina a produção executiva. O álbum ainda contou com profissionais como Michael Omartian, Larry Carlton, Steve Lukather, Jeff Porcaro, Ernie Watts, Jerry Hey, Patti Austin e outros músicos de destaque.
Mas é importante não transferir automaticamente todos esses nomes para “Forever”.
Esse é justamente um dos cuidados que fazem diferença quando se pesquisa uma gravação antiga.
Na faixa específica, os créditos apontam para Roscoe Beck no baixo, Tommy Taylor na bateria, Christopher Cross na guitarra, Billy Alessi no Fender Rhodes, Michael Boddicker e Billy Alessi nos sintetizadores e Christopher Cross nos vocais de apoio.
Ou seja: a riqueza do álbum está no conjunto, mas “Forever” possui sua própria formação de estúdio.
Essa distinção é pequena no texto.
Na pesquisa musical, ela é enorme.
Christopher Cross não estava apenas “por trás” da gravação
Talvez esse seja um dos detalhes mais importantes da história.
É comum encontrar “Forever” apresentada simplesmente como uma música dos Alessi Brothers com participação de Christopher Cross.
Os créditos mostram algo mais interessante.
Cross participou da construção da faixa em diferentes níveis: foi produtor do álbum, tocou guitarra em “Forever” e também aparece nos vocais de apoio da gravação.
A própria documentação oficial dos Alessi Brothers identifica Long Time Friends como um trabalho produzido por Christopher Cross e Michael Ostin, com Quincy Jones na produção executiva.
Portanto, quando a trilha de Elas por Elas apresentou a música no Brasil como “Alessi Brothers (featuring Christopher Cross)”, aquele crédito não era apenas uma maneira promocional de associar dois nomes conhecidos.
Cross realmente fazia parte do som da gravação.
E quem tocou a bateria?
Outro nome que merece sair das letras pequenas dos créditos é Tommy Taylor.
Taylor tocou bateria em “Forever”.
O detalhe ganha ainda mais significado quando observamos sua relação profissional com Christopher Cross.
Taylor foi baterista e vocalista da formação que acompanhou Cross e participou da gravação do primeiro álbum do artista. Em sua própria biografia, ele descreve sua trajetória como músico de estúdio e de estrada e registra trabalhos com Cross e Eric Johnson, além de outros artistas.
Isso coloca “Forever” dentro de uma rede musical muito interessante.
Christopher Cross não estava trabalhando com músicos escolhidos ao acaso.
Havia relações profissionais anteriores e uma comunidade de músicos ligada à cena de Austin e ao universo de gravações em que Cross estava inserido. Taylor, por exemplo, já fazia parte da história musical de Cross antes de chegar à sessão de Long Time Friends.
É um daqueles detalhes que dificilmente aparecem quando simplesmente se procura pela letra ou pelo título da música.
Roscoe Beck e o baixo que fica escondido nos créditos
No baixo de “Forever estava Roscoe Beck”.
Para o ouvinte comum, provavelmente é apenas mais um nome.
Para entender como aquela gravação foi construída, porém, ele é parte importante da fotografia do estúdio.
Beck aparece especificamente nos créditos da faixa, assim como Taylor, Cross, Billy Alessi e Michael Boddicker.
A presença desses músicos mostra que “Forever” não foi simplesmente registrada pelos irmãos e finalizada com uma produção minimalista. A gravação foi construída em camadas, combinando baixo, bateria, guitarra, Fender Rhodes e sintetizadores.
É justamente aí que os créditos deixam de ser uma lista e passam a contar uma história.
Michael Boddicker e a camada eletrônica de 1982
Outro nome que merece atenção é Michael Boddicker.
Ele aparece nos créditos de “Forever” tocando sintetizador ao lado de Billy Alessi.
Boddicker também aparece em outros trabalhos de 1982 e em uma longa lista de sessões daquele período, incluindo gravações de artistas como Stanley Clarke, George Duke, Diana Ross, Donna Summer e outros.
Sua presença ajuda a situar “Forever” dentro de uma época em que os sintetizadores já ocupavam um espaço cada vez mais importante na produção pop.
A música podia soar suave e romântica para o ouvinte, mas sua construção vinha de uma combinação entre instrumentos acústicos, elétricos e eletrônicos.
É uma fotografia bastante característica do início dos anos 80.
A engenharia também fazia parte da história
Os créditos do álbum registram Richard Mullen como engenheiro, Tom Cummings como segundo engenheiro e Chet Himes ligado à gravação e à mixagem. O material também indica gravações no Studio South, em Austin, e trabalhos de mixagem e overdubs no Kendun Recorders.
Esse tipo de informação costuma desaparecer quando uma música é lembrada apenas pelo intérprete.
Mas uma gravação é também o resultado de um processo técnico.
O som que chega ao ouvinte passa por microfones, instrumentos, programação, gravação, overdubs, mixagem e decisões tomadas por profissionais que raramente aparecem na memória popular.
“Forever” é um bom exemplo disso.
A chegada ao Brasil aconteceu em um momento decisivo
Poucos meses depois de sua gravação, “Forever” encontraria um ambiente particularmente favorável para permanecer na memória brasileira.
A música foi incluída na trilha internacional de Elas por Elas, novela de 1982.
A documentação da trilha registra a faixa como “Forever – Alessi Brothers (featuring Christopher Cross)” e a identifica como tema romântico geral. A trilha internacional começou oficialmente a tocar no capítulo 79, em 9 de agosto de 1982.
Isso é importante porque não se tratava de uma simples aparição isolada.
“Forever” fazia parte de uma seleção internacional cuidadosamente inserida dentro da dramaturgia da novela.
Na mesma trilha estavam músicas de artistas como Air Supply, The Motels, Paul Mauriat, Denroy Morgan e Secret Service.
O contexto ajuda a explicar por que uma música americana de 1982 poderia ganhar uma memória tão forte entre ouvintes brasileiros.
A televisão colocava aquela gravação dentro das casas, repetidamente, associando-a ao universo emocional da novela.
Uma trilha internacional que virou memória nacional
Há uma particularidade fascinante na relação entre música estrangeira e televisão brasileira.
Uma canção podia chegar ao país sem necessariamente carregar, em sua origem, a mesma história afetiva que teria para o público brasileiro.
Quando entrava numa novela, porém, ela passava a ganhar imagens.
E imagens ajudam a fixar músicas.
No caso de “Forever”, essa transformação foi especialmente significativa porque a própria trilha a classificava como tema romântico geral.
A canção deixava de ser apenas uma faixa do álbum Long Time Friends.
Passava a pertencer também ao universo de Elas por Elas.
É nesse ponto que a história americana da gravação encontra a memória brasileira.
“Forever” também teve trajetória no Brasil além da novela
A presença brasileira da música não ficou restrita ao fato de ela aparecer na trilha de Elas por Elas.
Registros sobre a trajetória dos Alessi Brothers apontam “Forever” entre as músicas da dupla que tiveram circulação nas paradas brasileiras.
Esse dado é importante porque ajuda a separar duas coisas diferentes:
uma música pode ser lembrada por ter aparecido em uma novela;
ou pode ter também construído uma trajetória própria entre os ouvintes.
No caso de “Forever”, as duas dimensões se encontram.
O curioso destino de uma música chamada “Forever”
Talvez exista uma ironia bonita na história dessa canção.
“Forever” fala sobre o fim de uma relação e sobre aquilo que permanece depois que uma história termina.
Décadas mais tarde, a música continua existindo justamente porque ficou ligada à memória.
A gravação permanece disponível, o álbum foi posteriormente relançado em diferentes formatos e a faixa continua identificada como uma das músicas de Long Time Friends. O álbum também permanece disponível em plataformas de streaming, mantendo a gravação acessível às novas gerações.
A palavra “forever”, portanto, acabou adquirindo uma segunda camada.
Não apenas a promessa de uma relação.
Mas a permanência de uma canção na memória de quem a ouviu.
Por que “Forever” merece ser lembrada?
Porque sua história é maior do que o nome estampado na capa do disco.
É a história de Billy e Bobby Alessi, de uma composição assinada por Billy, de um álbum produzido por Christopher Cross e Michael Ostin sob produção executiva de Quincy Jones, de músicos de estúdio como Roscoe Beck e Tommy Taylor e de uma gravação em que Cross também colocou guitarra e vocais de apoio.
É também a história de como uma música americana encontrou na televisão brasileira um novo caminho para ser lembrada.
E talvez seja justamente essa combinação que explique sua permanência.
A canção nasceu em um estúdio.
Mas uma parte importante de sua memória nasceu diante da televisão.
🎵 Você Sabia?
“Forever” não foi apenas produzida por Christopher Cross. Na própria faixa, ele também aparece creditado na guitarra e nos vocais de apoio. E o álbum ainda teve Michael Ostin como produtor e Quincy Jones como produtor executivo.
📚 Continue explorando a história da música
A história de “Forever” mostra como uma música pode atravessar fronteiras e ganhar novos significados quando encontra outro país, outra mídia e outra geração de ouvintes.
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Mas a história é muito maior.
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Depois de conhecer a história por trás desta gravação, que tal ouvi-la novamente?
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