Esquece e Vem: o hit que fez Nico Rezende acordar famoso
A história por trás da canção que nasceu de uma melodia ao piano, ganhou a trilha de uma novela e levou Nico Rezende, em um único fim de semana, ao Globo de Ouro, Cassino do Chacrinha e Fantástico

Por Redação Planeta Saudade
Publicado em: 25 de agosto de 2026
Algumas músicas chegam ao público depois de meses de planejamento. Outras parecem encontrar seu caminho quase sozinhas.
“Esquece e Vem” pertence à segunda categoria.
A canção que apresentaria Nico Rezende a uma parcela muito maior do público brasileiro começou de maneira despretensiosa, durante uma manhã de gravação. Em 1986, enquanto trabalhava em uma sessão com Lulu Santos, Nico chegou cedo ao estúdio, sentou-se ao piano e encontrou uma melodia que ainda não tinha letra.
Ele percebeu que havia alguma coisa ali.
Para não perder a ideia, pediu ao assistente do estúdio que registrasse a melodia. Depois, apresentou o material a Paulinho Lima. Os dois desenvolveram a composição juntos, com Paulinho responsável pela maior parte da letra, segundo o próprio Nico em entrevista.
Aquela gravação de uma ideia ao piano acabaria se transformando na música que mudaria o começo de sua carreira solo.
Antes do sucesso, havia um músico de bastidores
Quando “Esquece e Vem” apareceu, Nico Rezende não era exatamente um desconhecido dentro do ambiente musical.
Antes de assumir o próprio nome como cantor, ele já havia construído uma trajetória como músico, arranjador e compositor. Trabalhou com artistas importantes da música brasileira e, naquele período em que a canção nasceu, tocava com Lulu Santos.
Essa experiência é importante para entender a história.
Nico não estava começando do zero. Já conhecia estúdios, músicos, arranjos e os bastidores de uma indústria em que uma canção precisava encontrar não apenas uma boa interpretação, mas também uma identidade sonora.
E “Esquece e Vem” teria justamente uma identidade muito particular.
Uma melodia que encontrou sua forma no estúdio
Em entrevista ao Pop Fantasma, Nico explicou que a composição surgiu durante uma sessão de gravação para o disco de Lulu Santos. A melodia apareceu enquanto ele tocava piano e, depois de registrá-la, ele a levou a Paulinho Lima. A parceria deu origem à letra e à versão que seria gravada.
Os créditos da obra identificam Nico Rezende e Paulinho Lima como compositores. O álbum de estreia de Nico, lançado pela WEA em 1987, também registra “Esquece e Vem” como sua terceira faixa.
Mas existe um detalhe especialmente interessante nessa história: a música não foi pensada simplesmente para seguir o som que dominava as rádios naquele momento.
Nico buscava criar uma atmosfera própria. Em seu relato, descreveu o uso de texturas sonoras, guitarras, cordas e baixo fretless, além do trabalho de músicos como Torcuato Mariano, Arthur Maia e Léo Gandelman. Ele também lembrou que Liminha, ao ouvir o resultado, associou o arranjo a uma atmosfera de cinema.
É nesse ponto que a história deixa de ser apenas a de um sucesso dos anos 1980.
Ela passa a ser também a história de uma escolha estética.
O som por trás de “Esquece e Vem”
A gravação tinha uma característica que Nico continuaria reconhecendo décadas depois: a intenção de criar imagens por meio dos instrumentos.
Em entrevista posterior, o cantor descreveu a entrada distante da guitarra e a maneira gradual como outros elementos apareciam no arranjo. O baixo fretless contribuía para aquela sonoridade pop, enquanto as cordas entravam progressivamente, ajudando a formar a atmosfera que ele próprio definiu como cinematográfica.
Não era apenas uma questão de acompanhar a voz.
A ideia era construir uma atmosfera.
Essa percepção ajuda a explicar por que a gravação permanece tão identificável. Mesmo décadas depois, ao revisitar a canção, Nico voltou a falar justamente do caráter cinematográfico e das “texturas sonoras” criadas naquela primeira versão.
A música havia encontrado uma assinatura antes mesmo de se tornar um sucesso nacional.
1987: a estreia que ganhou uma vitrine nacional
“Esquece e Vem” foi lançada no primeiro álbum solo de Nico Rezende, em 1987. O próprio cantor posteriormente lembrou que a canção fazia parte do repertório de seu disco de estreia e se tornou um sucesso nas rádios. O O Globo registra que a música “estourou em todas as rádios” naquele período.
Mas havia outro elemento capaz de ampliar enormemente seu alcance.
A música entrou na trilha sonora de O Outro, novela da Rede Globo escrita por Aguinaldo Silva. No registro oficial da Memória Globo, “Esquece e Vem” aparece como tema de Denizard, com composição de Nico Rezende e Paulinho Lima e interpretação do próprio Nico.
Para um artista que estava lançando seu primeiro álbum, estar associado a uma novela da Globo significava colocar sua música dentro de uma das grandes vitrines culturais e populares da televisão brasileira naquele período.
A canção deixava de depender apenas do disco.
Agora havia rádio, televisão e novela trabalhando em torno dela.
Quando a música saiu do estúdio e entrou na televisão
O impacto dessa exposição aparece no relato do próprio Nico.
Em entrevista à CartaCapital, ele recordou que “Esquece e Vem” estourou nas rádios e entrou na trilha de O Outro. Na mesma conversa, contou que se apresentou com a música em três programas de grande audiência da Globo em um único fim de semana: Globo de Ouro, Cassino do Chacrinha e Fantástico.
É importante preservar a natureza dessa informação: o episódio é um relato retrospectivo do próprio artista.
Ainda assim, ele se encaixa no contexto documentado de sua ascensão naquele período. O O Globo registra que “Esquece e Vem” havia estourado nas rádios e fazia parte da trilha de O Outro, enquanto o próprio Nico descreve aquela sequência televisiva como o momento em que percebeu a dimensão nacional que a música havia alcançado.
A televisão, assim, não apenas divulgava a música.
Ela ajudava a transformar o cantor em uma presença reconhecível para o grande público.
“Na segunda-feira, eu estava famoso”
A frase ficou associada à lembrança que Nico guarda daquele período.
Segundo seu relato, depois das aparições em sequência no Globo de Ouro, Cassino do Chacrinha e Fantástico, ele chegou à segunda-feira percebendo que sua vida profissional havia mudado. À CartaCapital, resumiu a experiência com uma frase que atravessou os anos: “Na segunda-feira, eu estava famoso”.
Mais do que uma frase divertida, a lembrança traduz uma característica daquele período da música brasileira.
Antes da fragmentação provocada pelas plataformas digitais, uma música que conquistasse rádio e televisão podia alcançar públicos muito diferentes praticamente ao mesmo tempo.
No caso de Nico, a combinação foi particularmente poderosa:
uma canção própria + um primeiro álbum + rádios + novela + televisão.
Foi essa combinação que colocou “Esquece e Vem” no centro de sua estreia solo.
O sucesso também mudou o caminho profissional de Nico
O impacto não ficou restrito à exposição.
No ano seguinte, com o álbum Jogo de Ilusões, Nico já enfrentava uma consequência típica de uma carreira que havia acelerado: a quantidade de shows cresceu a ponto de exigir dedicação maior à própria trajetória. Em entrevista ao O Globo, ele contou que precisou deixar a banda de Lulu Santos para atender à demanda por seus próprios trabalhos.
É uma informação reveladora.
A música que nasceu enquanto Nico trabalhava nos bastidores com outro artista acabou contribuindo para que ele precisasse abandonar justamente uma dessas atividades de apoio e concentrar-se na própria carreira.
“Esquece e Vem”, portanto, não apenas apresentou Nico ao público.
Ela ajudou a reorganizar sua vida profissional.
Uma música que continuou sendo revisitada
O tempo passou, mas Nico não abandonou a canção.
Em 2021, ele voltou a “Esquece e Vem” em uma nova versão, ao lado da cantora Ive, buscando aproximar a música de novas gerações. O próprio Nico explicou que a releitura procurava trazer uma atmosfera mais despojada, baseada em violões e com uma espécie de clima de luau.
A nova versão também foi lançada oficialmente pelo artista e apresentada como uma releitura da composição que havia marcado sua carreira.
Há algo simbólico nessa escolha.
A mesma música que nasceu de um piano em uma manhã de estúdio ganhou, décadas depois, uma nova interpretação sem deixar de ser reconhecida como aquela canção que marcou o começo de sua carreira.
Em outras palavras, “Esquece e Vem” não ficou presa a 1987.
Ela voltou a encontrar o público em outro tempo, com outra sonoridade, mas carregando a mesma identidade melódica.
Por que “Esquece e Vem” continua importante?
Porque sua história reúne várias dimensões da música brasileira dos anos 1980 em uma única canção.
Existe o compositor que encontra uma melodia inesperada.
Existe o parceiro que ajuda a transformar aquela ideia em canção.
Existem músicos experientes ajudando a construir uma sonoridade particular.
Existe um artista que deixa os bastidores e assume o próprio nome.
Existe uma novela que amplia o alcance da gravação.
Existem as rádios que fazem a música circular.
E existe a televisão, capaz de transformar, em poucos dias, um cantor ainda associado ao trabalho de bastidores em um rosto reconhecido nacionalmente.
É por isso que lembrar “Esquece e Vem” não significa apenas voltar a uma música de 1987.
Significa reencontrar o instante em que a trajetória de Nico Rezende mudou de direção.
E talvez seja justamente por isso que a canção continue soando tão especial.
Porque, antes de ser um sucesso, ela foi uma ideia encontrada por acaso.
Antes de chegar às rádios, foi uma melodia registrada às pressas para não ser esquecida.
Antes de virar tema de novela, foi apenas um piano tocado por alguém que ainda não sabia que aquela música estava prestes a mudar sua própria história.
Você Sabia? 🎵
A melodia de “Esquece e Vem” surgiu durante uma sessão de gravação de Lulu Santos. Nico chegou cedo ao estúdio, sentou-se ao piano e registrou a ideia para não esquecê-la. Só depois apresentou a melodia a Paulinho Lima, com quem desenvolveu a canção.
Continue explorando a história da música 📚
A trajetória de “Esquece e Vem” é também uma porta de entrada para entender como uma música podia circular no Brasil dos anos 1980: nascer em um estúdio, ganhar forma com músicos e compositores, chegar às rádios, entrar em uma novela e alcançar milhões de pessoas pela televisão.
No Portal Planeta Saudade, outras histórias ajudam a reconstruir esse mesmo caminho — não apenas lembrando os sucessos, mas descobrindo as pessoas, escolhas e circunstâncias que fizeram cada canção chegar até nós.
Agora, ouça “Esquece e Vem” de outra maneira 🎧
Depois de conhecer sua história, a música ganha novas camadas.
A guitarra que surge ao longe, o baixo fretless, as texturas, as cordas e a voz de Nico deixam de ser apenas elementos de uma gravação dos anos 1980.
Passam a ser partes de uma história que começou com uma melodia encontrada ao piano e terminou colocando seu autor diante de um país inteiro.
Talvez seja essa a melhor maneira de reencontrar “Esquece e Vem” hoje:
não apenas como uma lembrança de 1987, mas como o registro sonoro do momento em que Nico Rezende descobriu que aquela melodia que quase poderia ter sido esquecida era, na verdade, o começo de uma nova vida profissional.
“Esquece e Vem” faz parte da memória musical que a Rádio Planeta Saudade preserva e compartilha com seus ouvintes.
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