Phenomena II – Dream Runner: os gigantes que se encontraram em um projeto que não era uma banda

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Phenomena

Em 1987, Tom Galley reuniu vozes, guitarras e músicos vindos de algumas das maiores histórias do rock. Quase quatro décadas depois, o destino de cada um revela a verdadeira dimensão de Dream Runner.

Por Redação Planeta Saudade
Publicado em: 17 de setembro de 2026


Uma banda que nunca foi exatamente uma banda

Existe uma imagem enganosa associada a Phenomena II – Dream Runner.

Quando o ouvinte encontra no mesmo álbum nomes como John Wetton, Glenn Hughes, Ray Gillen, Scott Gorham, Mel Galley, Neil Murray e Kyoji Yamamoto, é natural imaginar que ali estava uma nova super banda.

Não estava.

E essa é justamente uma das histórias mais interessantes do disco.

Criado por Tom Galley, Phenomena funcionava como um projeto musical e conceitual. Os músicos não precisavam abandonar suas próprias carreiras para pertencer à formação. Eles entravam na construção de determinadas músicas, gravavam suas partes e seguiam seus caminhos.

Os créditos de Dream Runner, lançado em 1987, deixam isso evidente: quatro vocalistas diferentes dividem as dez faixas, enquanto guitarras, bateria e teclados também são distribuídos entre músicos diferentes.

Era menos uma banda e mais uma arquitetura musical.

E Tom Galley era o arquiteto.


John Wetton — Asia, King Crimson, U.K. e Uriah Heep

Quando se fala em Dream Runner, é impossível não começar por “Did It All For Love”.

A faixa traz John Wetton nos vocais, Scott Gorham e Mel Galley nas guitarras, Neil Murray no baixo, Michael Sturgis na bateria e Leif Johansen nos teclados e samplers. Tom Galley assina a produção e divide a composição com Mel Galley.

Wetton já chegava ao projeto carregando uma das trajetórias mais respeitadas do rock britânico: King Crimson, U.K., Uriah Heep e Asia.

Depois de Phenomena, continuou gravando e se apresentando, inclusive em diferentes fases do Asia e no projeto Icon, com Geoff Downes.

Wetton morreu em 2017, aos 67 anos.

Hoje, sua participação em Dream Runner pertence à memória — mas sua voz continua sendo a assinatura de uma das gravações mais reconhecíveis do projeto.


Glenn Hughes — Trapeze, Deep Purple e Black Country Communion

Glenn Hughes representa outra história de longevidade.

Em Dream Runner, ele canta “Surrender”, “Hearts on Fire” e “Double 6, 55, Double 4”.

Sua carreira depois do álbum atravessou décadas: trabalhos solo, colaborações, Black Country Communion, além de inúmeras participações.

E aqui está a atualização mais importante para 2026.

Hughes continua ligado à música, mas anunciou em agosto deste ano uma pausa nas apresentações ao vivo por orientação médica. Seu site oficial registra que ele realizou a turnê The Chosen Years em 2025 e que, em 2026, precisou interromper as atividades de palco.

Portanto, a história não é de um músico que desapareceu.

É a de um artista que continua musicalmente ativo, mas está temporariamente fora dos palcos.


Ray Gillen — Black Sabbath e Badlands

A história de Ray Gillen é uma das mais dolorosas.

Sua voz aparece em “Stop!”, “No Retreat – No Surrender”, “Move – You Lose!” e “Emotion Mama”.

Gillen havia passado pelo Black Sabbath e, depois, seguiria para o Badlands.

Sua carreira, porém, terminou cedo demais.

Ele morreu em 1993, aos 34 anos.

Isso muda a maneira de ouvir sua participação em Dream Runner. O disco registra Gillen em um momento de ascensão, quando ainda havia um futuro inteiro pela frente.

Hoje, sua passagem por Phenomena é parte de um legado interrompido precocemente.


Max Bacon — GTR

Max Bacon talvez seja um dos nomes menos lembrados pelo grande público dentro desse elenco.

Em Dream Runner, ele canta “Jukebox” e “It Must Be Love”.

Sua trajetória incluía o GTR, projeto associado a Steve Hackett e Steve Howe.

Depois de sua fase mais conhecida no circuito do rock, Bacon passou a aparecer com muito menos frequência no centro da indústria musical.

E aqui a apuração exige cuidado: não encontramos documentação atual suficientemente sólida para afirmar uma atividade profissional regular de Bacon em 2026.

Em uma matéria construída sobre memória e responsabilidade, dizer apenas o que conseguimos confirmar é mais importante do que preencher o silêncio com especulação.


Scott Gorham — Thin Lizzy e 21 Guns

Scott Gorham aparece em apenas uma faixa de Dream Runner.

Mas que faixa.

Ele toca guitarra em “Did It All For Love”.

E sua participação teria consequências que ultrapassariam aquele disco.

A ligação com Phenomena aproximou Gorham de Michael Sturgis e Leif Johansen, também envolvidos no projeto, e os três posteriormente estiveram ligados ao 21 Guns.

Nos últimos anos, Gorham também revelou publicamente outra faceta: o desenho, atividade que mantinha praticamente em segredo havia décadas. Em entrevista à MusicRadar, falou sobre sua produção artística e sobre planos relacionados ao repertório do Thin Lizzy.

Assim, em 2026, Gorham continua associado à música e também desenvolve sua produção visual.


Mel Galley — Trapeze e Whitesnake

Mel Galley ocupava uma posição especial.

Além de guitarrista, era irmão de Tom Galley e participou diretamente da construção musical de Phenomena.

Em Dream Runner, toca guitarra em grande parte do álbum e divide com Tom Galley a autoria de várias músicas.

Sua história também passa por Trapeze e Whitesnake.

Mel morreu em 2008, aos 60 anos.

Mas seu trabalho não terminou completamente naquele momento.

Tom continuou preservando material deixado pelo irmão. Em entrevistas recentes sobre os arquivos do Trapeze, explicou que uma das últimas vontades de Mel era que aquelas gravações fossem reunidas e apresentadas ao público.

É uma das conexões mais emocionais de toda essa história:

Tom criou Phenomena com Mel. Décadas depois, continuou preservando aquilo que Mel deixou.


Neil Murray — Whitesnake, Black Sabbath e Gary Moore

Talvez o músico menos lembrado quando se fala na capa de Dream Runner seja justamente um dos mais importantes para sua sustentação.

Neil Murray toca baixo em todas as dez faixas.

Whitesnake, Black Sabbath, Gary Moore e diversos outros projetos fazem parte de sua trajetória.

Sua presença mostra algo importante: Phenomena não foi apenas uma reunião de vocalistas famosos.

Havia também uma verdadeira estrutura de músicos experientes trabalhando por trás das vozes.


Kyoji Yamamoto — Vow Wow

Kyoji Yamamoto representa uma das conexões internacionais mais interessantes do álbum.

O guitarrista do Vow Wow participa de várias faixas de Dream Runner.

E sua história chegou até 2026.

O Vow Wow voltou aos palcos em uma nova fase de celebração de seu legado, com apresentações em Tóquio e Osaka em janeiro de 2026. Yamamoto esteve entre os músicos da formação.

Portanto, entre os participantes de Dream Runner, Yamamoto é um dos casos mais claros de continuidade direta da atividade musical.


Toshihiro Niimi — Bow Wow e Vow Wow

Niimi dividiu a bateria do álbum com Michael Sturgis e toca especificamente em “Double 6, 55, Double 4” e “Emotion Mama”.

Sua história está profundamente ligada ao Bow Wow/Vow Wow.

Niimi morreu em 2023.

Seu nome, porém, permaneceu presente nas celebrações recentes do Vow Wow. O material oficial de Kyoji Yamamoto registra inclusive uma apresentação especial realizada em homenagem a Niimi.

É um belo exemplo de como um músico pode continuar presente na história de uma banda mesmo depois de sua morte.


Michael Sturgis — A-ha, Asia e Wishbone Ash

Sturgis toca a maior parte das baterias de Dream Runner.

Sua trajetória posterior inclui passagens por A-ha, Asia e Wishbone Ash, além de outros projetos.

Mas há algo ainda mais interessante.

A conexão estabelecida em Phenomena reapareceria posteriormente no 21 Guns, com Scott Gorham e Leif Johansen.

Isso demonstra que Dream Runner não foi apenas um encontro pontual.

Algumas das relações criadas durante o projeto continuaram produzindo música depois.


Leif Johansen — teclados, samplers e a tecnologia por trás do álbum

Johansen merece atenção especial.

Os créditos o identificam nos teclados e samplers, além da co-produção.

Isso significa que ele estava ligado justamente à camada sonora que ajudava a aproximar o hard rock de Dream Runner da estética tecnológica dos anos 80.

Sua participação também ultrapassou Phenomena.

Johansen esteve posteriormente associado ao 21 Guns, ao lado de Scott Gorham e Michael Sturgis.

É outro personagem que prova como o álbum funcionou como ponto de encontro para futuras colaborações.


John Thomas — Budgie

John Thomas aparece na guitarra de “Move – You Lose!”.

Seu nome estava ligado principalmente ao Budgie, banda fundamental do hard rock britânico.

Thomas morreu em 2016.

Sua contribuição para Phenomena acabou ficando registrada em uma única faixa, mas suficiente para colocar mais uma história importante do rock dentro de Dream Runner.


Richard Bailey — o elo menos óbvio

Richard Bailey é um caso que merece precisão.

Seu nome aparece ligado à composição de “Stop!” e “Hearts on Fire”, ao lado de Tom Galley. Os créditos de MusicBrainz o identificam como músico ligado a Magnum, Alaska e Whitesnake.

Ele também esteve relacionado ao universo inicial de Phenomena.

Mas não devemos atribuir a ele funções instrumentais específicas de Dream Runner que os créditos do álbum atribuem a Leif Johansen.

É exatamente esse tipo de detalhe que separa uma reportagem simplesmente informativa de uma apuração editorial cuidadosa.


Tom Galley — o homem que enxergou a possibilidade

No fim, tudo volta para Tom Galley.

Foi ele quem concebeu Phenomena.

Foi ele quem produziu Dream Runner.

Foi ele quem escreveu as letras e participou da composição.

E foi ele quem criou um formato no qual músicos de trajetórias tão diferentes podiam entrar e sair do projeto sem que Phenomena deixasse de existir.

O resultado foi um álbum que reuniu Asia, King Crimson, Deep Purple, Trapeze, Whitesnake, Thin Lizzy, Black Sabbath, Vow Wow, GTR e Budgie dentro de uma mesma obra — não porque essas bandas tivessem se reunido, mas porque seus músicos aceitaram participar de uma construção maior.

A diferença é enorme.

Não era uma reunião de bandas. Era uma reunião de talentos.

Tom Galley continuou trabalhando com música e, nos últimos anos, esteve diretamente envolvido na recuperação dos arquivos históricos do Trapeze, incluindo as gravações que Mel deixou.


E então chegamos a “Did It All For Love”

Agora podemos voltar àquela música que muitos brasileiros conheceram através dos comerciais da Hollywood.

Quando ela começa, existe a sensação de ouvir uma grande banda.

Mas sabemos que não é isso.

É John Wetton emprestando sua voz.

É Scott Gorham vindo do Thin Lizzy.

É Mel Galley tocando ao lado dele.

É Neil Murray segurando o baixo.

É Michael Sturgis na bateria.

É Leif Johansen construindo a paisagem eletrônica.

E é Tom Galley coordenando aquela arquitetura.

Os créditos confirmam essa formação faixa por faixa.

Talvez seja por isso que Dream Runner permaneça tão interessante.

Porque, por trás de uma canção que parecia simplesmente uma grande produção de rock dos anos 80, havia uma experiência muito mais sofisticada:

músicos de mundos diferentes entrando em uma mesma história sem deixar de ser quem eram.


Você sabia? 🎵

Dream Runner também deixou uma espécie de “rede invisível” de colaboradores: a participação de Scott Gorham em Phenomena ajudou a aproximá-lo de Michael Sturgis e Leif Johansen, relação que desembocaria no 21 Guns.

Continue explorando a história da música 📚

A história de Dream Runner não termina no disco de 1987. Ela continua nas trajetórias de cada músico — algumas ainda em movimento, outras encerradas cedo demais, mas todas parte de uma mesma fotografia musical.

Ouça a trilha sonora desta história 🎧

Quando “Did It All For Love” voltar a tocar, talvez você a escute de outra maneira.

Porque agora sabemos que aquela gravação não era apenas uma música.

Era o encontro temporário de várias histórias que, antes e depois dela, continuaram seguindo caminhos diferentes.


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Créditos finais — fontes apuradas

A matéria foi refinada a partir do cruzamento de créditos fonográficos, fontes especializadas, sites oficiais e registros jornalísticos, com prioridade para fontes primárias e especializadas, conforme o protocolo do Guia Mestre v2.0.

Fontes principais consultadas:

  • MusicBrainz — créditos detalhados faixa a faixa de Dream Runner.
  • Burning Shed — edição definitiva de 2018 e créditos completos do álbum.
  • Thin Lizzy Guide — documentação específica da participação de Scott Gorham e dos músicos do projeto.
  • Glenn Hughes Official — biografia, trajetória e atualização de sua atividade em 2026.
  • Kyoji Yamamoto Official / WOWOW — atividade recente do Vow Wow e apresentações de 2025–2026.
  • MusicRadar — entrevista com Scott Gorham sobre música, arte e projetos ligados ao Thin Lizzy.
  • Get Ready to ROCK! — análise histórica das reedições de Phenomena e conexão com 21 Guns.
  • Black Sabbath Online — trajetória de Ray Gillen e participação em Phenomena II.
  • RAMzine — entrevista com Tom Galley e documentação sobre os arquivos de Trapeze e o legado de Mel Galley.
  • AllMusic — contexto histórico e discografia de Phenomena.

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