Jessé, Tim Maia e Tunai: três histórias, três caminhos e três formas de permanecer na memória

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Três artistas. Três trajetórias. Três maneiras diferentes de transformar música em memória.

Por Redação Planeta Saudade
Publicado em: 21 de setembro de 2026

Há artistas que deixam sucessos. Outros deixam uma maneira particular de cantar, compor e fazer parte da memória de quem os ouviu.

Jessé, Tim Maia e Tunai pertencem a histórias diferentes da música brasileira — mas os três deixaram canções que continuam abrindo portas para lembranças.

E talvez seja justamente por isso que esta pergunta ainda faça sentido: de qual deles você sente mais falta?

Jessé: quando uma voz transforma uma canção em destino

Jessé Florentino Santos nasceu em Niterói, mas foi criado em Brasília. Antes de se tornar conhecido nacionalmente, trabalhou como crooner em boates de São Paulo e integrou grupos como Corrente de Força e Placa Luminosa, experiências que ajudaram a formar o intérprete que surgiria diante do grande público. O Dicionário Cravo Albin também registra gravações realizadas por Jessé nos anos 1970 sob o pseudônimo de Tony Stevens.

A virada aconteceu em 1980, no Festival MPB 80, promovido pela Rede Globo.

Com “Porto Solidão”, de Zeca Bahia e Ginko, Jessé conquistou o prêmio de melhor intérprete. A própria Memória Globo registra que o compacto ultrapassou a marca de 100 mil discos vendidos — um resultado expressivo para uma música que também ajudou a apresentar aquele novo intérprete ao Brasil.

Vieram então “Voa Liberdade”, “Estrela Reticente” e “Solidão de Amigos”, consolidando uma voz que encontrava enorme força justamente na interpretação.

Mas existe um capítulo internacional que merece ser lembrado.

Em 1983, Jessé representou o Brasil no Festival OTI, realizado em Washington, nos Estados Unidos, com “Estrela de Papel”, parceria de Jessé Florentino Santos e Elifas Andreato. A apresentação rendeu ao brasileiro os prêmios de melhor intérprete, melhor canção e melhor arranjo. O arranjo foi assinado pelo maestro Daniel Salinas.

É uma dessas histórias que mostram como uma carreira pode ser maior do que a lembrança de apenas um sucesso.

Tim Maia: antes do Brasil descobrir a voz, existiu um jovem chamado Jim

A trajetória de Sebastião Rodrigues Maia talvez tenha um dos capítulos internacionais mais curiosos da música brasileira.

Em 1959, aos 17 anos, Tim Maia foi para os Estados Unidos. Em Tarrytown, no estado de Nova York, entrou em contato direto com a cultura musical norte-americana e integrou, como vocalista, o grupo The Ideals.

Foi ali que surgiu uma história que décadas depois pareceria quase roteiro de cinema.

Ao lado de Roger Bruno, Tim Maia participou da composição de “New Love”. A gravação dos The Ideals contou ainda com a presença do percussionista brasileiro Milton Banana, que estava nos Estados Unidos acompanhando a cena da bossa nova.

O detalhe extraordinário veio muitos anos depois.

Em 1973, já consagrado no Brasil, Tim Maia gravou novamente “New Love”. Roger Bruno, porém, não sabia que o antigo amigo americano conhecido como Jim havia se transformado no artista brasileiro chamado Tim Maia. Segundo relato publicado pela Folha de S.Paulo, Roger Bruno só descobriu essa ligação em 2007.

Quando voltou ao Brasil, Tim Maia trouxe consigo uma experiência musical que ajudaria a ampliar os horizontes da música brasileira.

Soul, funk e referências da música negra norte-americana passaram a dialogar com elementos brasileiros em uma linguagem que se tornaria imediatamente reconhecível.

Vieram “Azul da Cor do Mar”, “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)”, “Gostava Tanto de Você”, “Réu Confesso”, “Sossego” e tantas outras canções que atravessaram décadas. O Dicionário Cravo Albin registra, inclusive, que o primeiro LP de Tim Maia, lançado em 1970, permaneceu por 24 semanas nas paradas de sucesso cariocas.

A história de Tim Maia não começou quando o Brasil o descobriu.

Começou muito antes — inclusive do outro lado do continente.

Tunai: quando a melodia encontra grandes intérpretes

José Antônio de Freitas Mucci, conhecido artisticamente como Tunai, nasceu em Ponte Nova, Minas Gerais, em 1950.

A música já estava dentro de casa.

Sua mãe, Maria Auxiliadora de Freitas Mucci, conhecida como Dona Lilá, participava de um grupo de seresta, tocava violino e mantinha um coral de 40 vozes. O ambiente familiar ajudou a formar o músico que, ainda adolescente, já participava de festivais. Tunai também era irmão de João Bosco de Freitas Mucci, que se tornaria outro nome fundamental da música brasileira.

Mas um encontro em 1977 mudaria sua trajetória.

João Bosco apresentou Tunai ao letrista Sérgio Roberto Ferreira Varela, conhecido como Sérgio Natureza. A parceria entre os dois se tornaria uma das mais importantes da carreira de Tunai.

Em 1979, Elis Regina gravou “As Aparências Enganam”, composição de Tunai e Sérgio Natureza, no álbum Essa Mulher. A presença de Elis deu uma dimensão especial à canção e ajudou a abrir novas portas para o compositor mineiro.

Depois vieram outras interpretações marcantes.

Gal Costa gravou “Eternamente”, parceria de Tunai, Sérgio Natureza e Liliane. A música chegou à televisão como tema de novela da Rede Globo. Mais tarde, “Frisson”, registrada por Tunai no álbum Em Cartaz, de 1984, tornou-se uma das canções mais conhecidas de sua carreira e ganhou nova vida em trilhas televisivas.

E a história continuou.

“Sintonia”, composição de Tunai e Sérgio Natureza, foi tema de Luti na trilha de Ti-Ti-Ti, conforme registra a Memória Globo.

O alcance de sua obra também pode ser percebido pela quantidade de intérpretes que passaram por suas composições: Milton Nascimento, Elis Regina, Gal Costa, Ney Matogrosso, Fafá de Belém, Elba Ramalho, Simone, Jane Duboc, Zizi Possi, Fagner, Beto Guedes, Ivete Sangalo, entre muitos outros.

Tunai construiu, assim, uma carreira em que muitas vezes a música chegava primeiro pela voz de outra pessoa — mas a assinatura do compositor permanecia.

Três artistas, três caminhos

Talvez seja justamente aí que Jessé, Tim Maia e Tunai se encontrem.

Jessé Florentino Santos tinha a força da interpretação.

Sebastião Rodrigues Maia tinha uma personalidade sonora impossível de confundir.

José Antônio de Freitas Mucci tinha o dom de construir canções capazes de encontrar novos intérpretes e novas épocas.

Três caminhos diferentes.

Três histórias diferentes.

Três maneiras de deixar uma marca.

E talvez a saudade também seja diferente para cada um deles.

Porque algumas vozes nos lembram de uma época.

Algumas músicas nos lembram de alguém.

E algumas carreiras nos fazem perceber que determinadas histórias nunca terminam completamente.

Você sabia? 🎵

Em 1983, Jessé Florentino Santos não apenas representou o Brasil no Festival OTI, em Washington: “Estrela de Papel” levou três premiações — melhor intérprete, melhor canção e melhor arranjo. O arranjo foi de Daniel Salinas.

Continue explorando a história da música 📚

Se Jessé, Tim Maia e Tunai mostram três maneiras diferentes de construir uma trajetória, outras histórias da música brasileira revelam ainda mais encontros entre intérpretes, compositores, produtores, televisão e memória afetiva.

No Portal Planeta Saudade, cada história procura ir além da lembrança do sucesso para descobrir o que existia por trás da canção.

Ouça a trilha sonora desta história 🎧

Depois de conhecer os caminhos percorridos por Jessé, Tim Maia e Tunai, talvez algumas dessas músicas soem de maneira diferente.

Porque conhecer a história de uma canção também muda a maneira como a gente a escuta.

E depois da história, vem o reencontro com a canção.

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O Portal Planeta Saudade existe para preservar a memória da música com pesquisa, contexto, responsabilidade e emoção.

Mais do que lembrar que uma música foi importante, o Portal procura explicar por que ela foi importante, quem participou de sua trajetória e quais histórias merecem continuar vivas.

De qual deles você ainda sente mais falta?

Jessé, Tim Maia ou Tunai?

A história não termina aqui.

Preservando a memória da música, uma história de cada vez.

Memória Globo — Festival MPB 80 e registro das vendas de “Porto Solidão”. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira — biografias e trajetórias de Jessé, Tim Maia e Tunai. Instituto Moreira Salles / Rádio Batuta — contexto histórico da música brasileira e repertório de Tim Maia e Jessé. Folha de S.Paulo — investigação sobre a passagem de Tim Maia pelos Estados Unidos, The Ideals, Roger Bruno, “New Love” e Milton Banana. Discografia Brasileira / Discos do Brasil — registros fonográficos e créditos de “As Aparências Enganam” e obra de Tunai. IMMuB — Instituto Memória Musical Brasileira — discografia e créditos de Tunai. Memória Globo — trilhas de novelas — “Frisson”, “Eternamente” e “Sintonia”. A União / Memorial — trajetória de Jessé e participação no Festival OTI. Prefeitura de Santos — trajetória de Tunai e encontro com Sérgio Natureza.

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